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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

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15.Nov.10

ENDOMETRIOSE


A endometriose é uma patologia que se caracteriza pelo crescimento de tecido endometrial ectópico, ou seja, há crescimento de tecido semelhante a endométrio fora do útero, em locais onde não seria suposto o mesmo surgir. O mais frequente é estes crescimentos de tecido anómalo ocorrerem na região pélvica:

- miométrio (outra camada uterina)

- fundo de saco de Douglas

- ligamentos uterosagrados

- ovários

- bexiga

- intestino

- peritoneu

 

No entanto, em casos mais raros, o tecido endometrial também pode surgir noutros órgãos, como os pulmões, o cérebro, o músculo e o olho.

Estes tecidos ectópicos são estrogénio-dependentes. Assim, aquando do período menstrual, estes tecidos ectópicos sangram, podendo dar origem a hemorragia rectal ou urinária.

 

É uma doença que afecta as mulheres essencialmente no período fértil, e estima-se que afecte cerca de 10 a 12% da população. É responsável por 20 a 30% dos casos de infertilidade e por 40 a 60% das queixas de dismenorreia (dor menstrual).

 

 

Embora seja frequentemente assintomática, as principais manifestações clínicas são:

- dor pélvica crónica cíclica (coincidente com o período menstrual) ou constante - como este tecido ectópico também sofre estimulação por parte dos estrogénios, isso causa uma inflamação repetida que pode levar a fibrose e aderências das estruturas

- dismenorreia (dor menstrual) severa

- dispareunia (dor durante a penetração sexual)

- disúria (dor ao urinar)

- hematúria (sangue na urina) durante o período menstrual

- hemorragia rectal (e defecação dolorosa) durante a menstruação

- cansaço

- infertilidade

 

É frequente um diagnóstico tardio, devido aos sintomas de dor inespecíficos.

 

 

 

O tratamento vai depender da sintomatologia da mulher, do seu desejo de engravidar, da sua idade e da extensão da doença.

Podem ser usados fármacos como: contraceptivos orais, progestagénios, análogos da GnRH, danazol e inibidores da aromatase.

Em casos mais graves, pode recorrer-se à cirurgia por via laparoscópica: coagulação ou laser são usados para extirpar selectivamente todo o tecido endometrial ectópico, mantendo a capacidade reprodutiva da mulher. No entanto, as recidivas são frequentes e o único tratamento definitivo é a remoção cirúrgica de ambos os ovários (ooforectomia bilateral).